Esta quinta-feira não foi um dia fantástico. Tenho andado cansada, a dormir uma média de 5h30 por noite e para ajudar tive uma tarde como direi? Irritante, frustrante, revoltante. Fui assistir a uma conferência em Cascais sobre o talento e os recursos humanos no turismo. Fico indignada quando oiço profissionais da hotelaria a acharem normal pessoas com formação superior na área terem o mesmo nível salarial que alguém com o secundário. Como é que este país pode ir para a frente assim? As competências são uma mais-valia para uma empresa e têm um preço, as diferenças devem existir. O salário mais do que uma fonte de sobrevivência, é uma fonte de motivação e de reconhecimento.
Como se já não fosse suficiente, ainda houve um senhor do público a intervir. Disse que não só é hoteleiro como é pai e que vê pelo exemplo dos seus filhos que o problema está nos jovens de hoje não terem espírito de sacrifício, serem desinteressados, não quererem aprender nem trabalhar. Tive de me controlar muito para não lhe responder, é mesmo essa a ideia que ele tem dos jovens? Não sei que espécie de filhos o senhor tem mas se há algo que me tira do sério são generalizações. Isto comigo ao seu lado, com a única jovem presente na conferência. Achei desadequado ao tema em debate e de péssimo gosto, se não fosse interessada não estaria a marcar presença na conferência, pelo que acho que deve haver muito cuidado na forma como expressamos as nossas opiniões. Se o senhor dissesse que existe uma tendência actual para os jovens não quererem aprender nem se sacrificarem, não vou dizer que concordo. Teria de ser comprovado com dados estatísticos mas certamente estaria mais correcto do que jurar a pés juntos que nenhum jovem dos dias de hoje é competente, é dinâmico, é interessado. É óbvio que não falo só por mim, falo por outras pessoas que conheço e que são qualificadas e que mereciam uma oportunidade de trabalho mais digna. É triste ser esta a imagem que alguém tem e que quer passar a outras pessoas. Fiquei com sérias dúvidas de que espécie de educação este pai deu aos seus filhos.
Enfim, para ser sincera aprendi muito pouco sobre o tema, ficou muito aquém das minhas expectativas. A prova de que as expectativas devem ser evitadas ao máximo. Andou sempre à volta das competências que os profissionais devem ter, sempre à volta das "obrigações" e nunca dos direitos. Até que um dos oradores teve a feliz ideia de discursar e de ter uma opinião idêntica à minha. Disse que as pessoas não são commodities, que o know-how deve ser tido em conta e que diferentes níveis de qualificação exigem diferentes níveis salariais pois isso faz parte da motivação e de um melhor desempenho por parte de um colaborador. E pronto, isto tinha de ser no capítulo da liderança porque um verdadeiro líder sabe como motivar as pessoas e não, neste caso não falo só do aspecto monetário, falo de avaliações regulares, de acompanhamento, de formação interna e de outro tipo de incentivos.
Acho lamentável pessoas que reconhecem que os recursos humanos são o capital mais importante da hotelaria e que depois acham admissível pessoas qualificadas receberem o ordenado mínimo. E para terminar, quero frisar que esta última frase é uma generalização, pois tal como referi ainda existe esperança e há sempre excepções à regra.
E pronto, tinha de manifestar a minha opinião.